O SEU SANTO NOME

Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som
Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro)
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
Ao espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
Que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie...
Carlos Drummond de Andrade
(...) por mais que o homem faça e se eleve acima de si mesmo, há sempre dois instantes fatais no dia que o chamam de volta, malgrado ele, à triste condição de animal; de onde se sabe que meu sistema (talvez por julgar demais, segundo penso) não o afaste muito. E estes dois instantes cruéis (perdoem as expressões que não são nobres mas verdadeiras), estes dois instantes repelentes são portanto aqueles em que ele precisa se encher e se esvaziar.
Donatien Alphonse François de Sade
Bem... Presenciamos belas tentativas, aqui mesmo, de se descrever o amor... e então, ouvimos sobre carência, amor-próprio, vários tipos de amor/Eros e veio a baila até a expressão fazer amor...J
Agora, então, lançarei o desafio... Dispam-se!!! Sejam corajosos!!! Sozinhos em algum cômodo dispam-se... mas dispam-se de corpo e alma... retirem as máscaras, por mais útil que elas sejam... temem um deus que os observam??? Será que nem mesmo sozinhos se sentem realmente seguros para serem vocês mesmos???
Às vezes como agora sinto-me bem perto da loucura... quero gargalhar por horas... quero chorar de tanto rir... mesmo sem saber direito sobre o que rio... se de mim... ou se dessa cultura que tanto me ofende... e sabem o que é mais engraçado??? É saber que há tantas almas como a minha... hahahahahahahahahahah loucura??? Loucura é um dia acreditar que somos o que hipocritamente somos!
Mas tá... o amor!!! Claro que ele existe, não há dúvidas disso, também eu o sinto... mas quando estou excitada... quando o tesão me envolve o que realmente importa é expulsar de mim o espírito que circula... que faz formigar meu corpo que lateja e que me faz ofegar... às vezes temos diante de nós o objeto de nosso amor fisicamente nu... como diria o poeta... "languido"... e o que fazemos com ele? Ou melhor, o que esse objeto mal-intencionado, não esqueça que para ele – o objeto – você também é objeto, pois bem, o que esse objeto espera de você? Como é??? Falem mais alto...J eles esperam o quê??? Carinho? Ora, façam-me o favor...
Quando o sangue inflama as veias os padrões sociais são inúteis... os sentimentos se afogam nele... e só resta o instinto... e que dilícia se lambusar no suor animal... mas depois... depois do espírito expulso o sangue esfria e a dilatação se contrai e eis que surge o racional clamando suporte técnico para explicar a selvajaria... e então... hahahahah
Não sei se me entendem... Todo tipo de relação sexual é uma relação sexual... seja com a prostituta ou com a esposa, com o garoto de programa ou com o marido... com um(a) vagabundo(a) ou com o objeto de nosso amor... E a química desse momento vicia mesmo e contamina qualquer sentimento... O amor pode até sobreviver ao vicio, mas não se mistura jamais...
Vou dizer agora uma coisa absolutamente honesta... Estou esgotada!!! Já vivi o suficiente tentando conciliar essas coisas em mim... basta!!! Sou só cicatrizes de tantas feridas causadas por esse conflito... Arregalo os olhos para a hipocrisia estampada no outro, e às vezes, às vezes o outro me fita através do espelho que fito... Sei o que falo e sinto... Quantas vezes em lágrimas sussurrava um "mas eu amo você, você não me entende..." ao mesmo tempo em que sentia entre as coxas meu sexo latejar... e sem poder falar, tudo o que de fato queria era sentir o gosto do sêmen escorrendo entre meus lábios...